Passado, presente, Eu.


Ele fazia eu me sentir menor, me sentir mal por sentir de mais, eu sempre estava errada, eu nunca sabia de nada, era um simples objeto preso ao seu dono, sem chance de fuga.
No primeiro ano achava que a prisão era física, e sim, foi por alguns meses, mas depois... A prisão era mental, ele dizia que eu não tinha escolha, não havia saída, ele me prendeu dentro da minha própria mente, e hoje, eu ainda me pego presa a esse passado, é algo que nunca se vai, por mais que eu tente, porque querendo ou não, vou ter alguém em minha vida para me lembrar isso até minha morte.
Ela nunca teve culpa, ele foi na verdade, a minha salvação, minha luz no fim do túnel, foi a melhor coisa da minha vidinha insignificante, e veio de um dos piores momentos.
Eu nunca costumo falar disso, na verdade, até em pensamento me nego lembrar, mas não posso, não posso, não posso, eu não posso mais ter isso só pra mim, mesmo que não faça sentido para os outros, eu só preciso que mais alguém saiba, saiba de como eu realmente me sentia e me sinto, e não somente só o que aconteceu.
Alguns colegas dizem que em meu lugar, já teriam desistido, mas eu já desisti de viver faz tempo, eu só existo, e não existo por mim, é só por ela, é tudo somente por ela, para ela, com ela.
Talvez eu mereça tudo isso, ou talvez tenha sido só mais um terrível acontecimento.
A maldade existe sim, existem pessoas ruins, e a humanidade algum dia vai ter que aceitar isso, não, a sociedade não corrompe ninguém, a maldade já nasce dentro de cada um de nós, basta saber como vamos lidar com isso.
Ninguém mata sem querer, estupra sem querer, bate sem querer, grita sem querer, ninguém.
Para tudo há um motivo, maldade, descontrole, medo, raiva...
E até hoje penso, "como fui capaz de sair de lá? Estava tudo tão fodido, eu tinha tanto medo!"
Mas a minha força foi ela, e sempre será, ela é o meu ÚNICO motivo de tentar ter uma vida de novo, tentar recomeçar tudo, mesmo falhando mais que acertando.
Eu nunca mais consegui ter contato direto de verdade com ninguém, eu ainda me sinto suja, culpada, sozinha, vazia.
E de verdade, prefiro estar o resto dos meus dias cuidando de alguém do que de mim, não tenho e nunca tive amor por mim.
 
Sou só mais um alguém perdido na multidão.

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